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Jack Johnson traz ao Rio suas preocupações ecológicas e políticas

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Temas inspiram cantor e compositor em seu novo disco

RIO - A imagem de cara tranquilão, cuca fresca - e, ainda por cima, surfista - insiste em não largar o cantor e compositor americano Jack Johnson, de 42 anos. Mas se sua música é suave, isso não significa que ela seja alienada do conturbado mundo que a cerca. Um sinal disso: pode até ser bonito o mosaico que cerca a sua figura, numa praia do Havaí, na capa de "All the light above it too", seu sexto álbum, lançado em setembro. Só que ele é formado por pedaços de plástico encontrados ao longo de uma hora num raio de 90 metros na areia. Ou seja: lixo, lixo e mais lixo, gerado pela sanha industrial de seu país.

- Muitas das músicas do novo disco surgiram enquanto eu acampava. Mas, mesmo assim, algumas acabaram girando em torno do tema da ganância - explica o artista, em entrevista por telefone, do Peru, um dia antes de chegar ao Brasil.

O plástico todo foi parar no clipe de "You can't control it", em que Jack canta: "Entenda uma coisa: você não pode determinar se ou quando você vai beber desse vasto oceano". Já em "My mind is for sale", outra do novo álbum, o artista direciona suas armas para Donald Trump, em especial nos versos "Ouvi que as seis ou sete palavras que ele gosta de usar/ são sempre de mau gosto".

- É alguém que veio de um programa de televisão, tornou-se presidente e depois saiu do controle - diz Jack. - Há muitas coisas que têm a ver com ele e com as quais eu me importo.

Primeiro álbum de Jack Johnson em quatro anos, "All the light above it too" - que ele mostra ao vivo neste domingo no Rio, em show a partir das 20h, na Jeunesse Arena - demorou a sair por causa de uma crise criativa do cantor e, curiosamente, só engrenou por causa do seu envolvimento com diversas atividades. "Fragments", a primeira canção do disco a ser feita, como uma espécie de jam informal, surgiu enquanto ele filmava o documentário "The smog of the sea", que investiga a poluição por plástico no Mar de Sargaços, no Atlântico Norte. Em seguida, veio "Subplots" (com os versos que deram título ao CD), e aí o cantor percebeu que tinha uma linha a seguir e um álbum a caminho. E que este trataria dos efeitos do homem sobre o mundo.

- Crescer no Havaí, com o oceano, me fez ver a natureza de diferentes formas. É uma energia muito forte, que acaba passando para o meu trabalho - conta Jack, que pensava em lançar o disco em julho, mas adiou os planos por causa de um convite do amigo e campeão mundial de surfe (por 11 vezes) Kelly Slater para curtir umas ondas na Ilhas Marshall.

A parte ecológica e política de "All the light above it too" é extensa - muitas músicas foram feitas em meio ao choque da eleição de Trump - mas há também espaço para o romantismo puro e descarado de "Love song # 16", que conta a história de um cara e uma garota separados por um oceano e que vão acabar se encontrando. "Não sabia ainda o que eu queria, mas você já estava ouvindo os Pixies", canta Jack na delicada canção.

- É uma história real, acontecida quando eu tinha 19 anos - confessa ele.

O Rio é a primeira data de uma pequena turnê brasileira do cantor, que apresenta "All the light above it too" também em São Paulo, na terça-feira, no Espaço das Américas. Assíduo no país, onde músicas suas como "Sitting, waiting, wishing", "Better together", "Times like these" e "Upside down" são bem conhecidas do público, ele sempre encara as viagens com um misto de dever profissional e prazer.

- Muitas das minhas influências vêm da música do Brasil. E além disso, (o brasileiro) Mario Caldato foi produtor de muitos dos meus discos. O baterista da minha banda adora a percussão brasileira. E sempre que vou aí gosto de ir a lojas de música e comprar instrumentos que acabo usando nos meus discos - revela.


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